14/12/2009

Lúpus... Um depoimento.

Segundo Dr. Gregory House, "it´s not lupus"!

Dez anos atrás meu mundo estava turvo. Em meio aos vestibulares e paixonites mal resolvidas, surgia o lúpus. Não entenda essas palavras como tristes, mas sim absorvidas. Dez anos atrás, eu mudei, minha vida mudou, mudaram meu rumo sem que houvesse uma escolha naturalmente minha. Dez anos atrás eu vivia o início de um tratamento que causava medo aos meus 17 anos... Aquele seria meu destino? Não tive medo, mas me senti muito triste. Triste como poucas vezes me senti nessa vida, ainda tão insignificante diante de tantas possibilidades que ainda existem.

Sei como isso causou medo a quem me amava, aos meus amigos e familiares, especialmente à minha mãe. Só eu sei como era difícil olhar no espelho e não me encontrar. Só eu sei como era estranho pensar que o sol se transformara em inimigo, que agora eu viveria sob constante controle... À medida que a borboleta se manifestava no meu rosto, quando o cabelo se perdia por aí, ao ver meus olhos tristes nas fotografias... Quem era aquela pessoa, que eu não reconhecia? Aqueles olhos fundos da “Carolina” de Chico Buarque, num ano difícil, vivendo um amor impossível... O mundo havia mudado porque eu não era mais a mesma.

Dez anos atrás uma revolução foi iniciada. Sem volta. Não pense que escrevo essas palavras com tristeza, muito menos com pena de mim mesma. O “meu” lúpus era pouco perto de tantas outras coisas que vi na vida, seja na minha ou na de outras pessoas. Era um inimigo quase invisível. Irônico é pensar que o lúpus é um “auto-ataque”, ou seja, nada mais coerente com quem “eu era”: uma jovem esfarrapada e com medo de viver, como medo do que eu parecia aos olhos das outras pessoas. Fui escolhida. O lúpus é genético, mas se manifesta em casos específicos. Talvez algum dia eu mesma tenha escolhido enfrentar tudo isso, bem lá no fundo, como um grande teste. E quando olho pra trás, afirmo: enfrentei. Se em algum momento me desesperei, jamais deixei de correr atrás de melhores condições de vida. Se em algum momento eu perdi a esperança, logo a reencontrei. Se algum dia me senti horrível, tomei uma atitude: em minha casa não haveriam espelhos e relógios. O tempo voltaria a ser meu e minha face seria apenas um detalhe no que estava por vir.

Há muito tempo eu não falava sobre isso, pensando em como foi difícil no começo. Há muito tempo não penso como estou bem agora, como consegui superar alguns momentos de fraqueza. E se paro ainda pra pensar em quais foram os momentos que mudaram a minha vida, um deles com certeza foi a descoberta do lúpus, pois se sou quem sou hoje, devo uma parte considerável às lições que o lúpus me trouxe. Talvez o lúpus tenha me mostrado o que realmente era importante, ou como eu era bonita e não dava valor, ou como o mar era importante na minha história, ou como a vida era curta e frágil. Descobri que não podia desperdiçar o meu tempo e que eu deveria tentar, arriscar, errar, viver. As limitações eram ilusórias quando a vida ganhava um novo horizonte.

Eis o ponto de mudança do meu vento. Lúpus cutâneo sub-agudo e discóide. Não precisei me embebedar na adolescência pra me divertir. Não precisei provar nenhuma droga pra testar os meus limites (já me bastavam as drogas autorizadas pelo médico). Não precisei vadiar pra saber que até nos estudos eu podia me divertir. Não precisei chutar o balde como se fosse o fim de tudo. Dez anos atrás optei por curtir, sem precisar conhecer o fundo do poço para dar valor ao que eu tinha. Mesmo com a saúde fragilizada, vivi intensamente e ainda vivo. Aliás, vivo cada vez mais, com mais vontade, pois a única certeza que ainda me resta é de que estou correndo contra o tempo. Todos estamos!

Qual o motivo pra eu relembrar tudo isso agora? Talvez porque eu ainda não tenha 100% da minha saúde de volta, mas isso em nada tem me impedido de viver. Talvez porque eu não viva o suficiente pra ver a cura do lúpus, especialmente para quem sofre com a versão sistêmica... A questão é que depois do lúpus, escolhi novos rumos sem desistir de ir adiante, mesmo sabendo que podia ser difícil. Não foi fácil encarar a faculdade com grandes bochechas, não foi fácil lidar com a minha auto-estima flagelada, não foi fácil suportar tantos medicamentos e enxaquecas. Mas e daí? Estou aqui. Mais viva do que nunca.

O sol? Estive em Fernando de Noronha e Abrolhos. Mergulhei em vários mares... Conheci Chichen Itzá, abracei um tubarão, beijei um golfinho. Vivi vários amores, me decepcionei com alguns outros. Curti festas, músicas, aventuras e desafios! Fiz rafting, pulei de tirolesa, quase me afoguei num coral em Maraú. Naveguei, andei, dancei. Completei a faculdade, a pós-graduação, escrevi artigos e um deles foi apresentado na França. Sou uma profissional realizada, mesmo não estando no mar. Vim de uma família de guerreiras, não poderia ser diferente... Tenho muitos amigos, em todos os cantos do mundo, seguindo seus destinos. Encontrei minha irmã caçula na Internet, converso com um irmão que nunca vi de perto. Escrevo todos os dias em meu diário e tenho vício em fotos, contradizendo aquela pessoa que tinha medo de espelhos... As fotos são espelhos fixos! Coloquei a Corrente do Bem pra funcionar, consegui carregar meus amigos pra essa idéia maluca. Mudei meu mundo, mesmo que sejam poucos metros quadrados. Aquela borboleta vermelha do meu rosto agora bate as asas em minha alma, pois nada conseguirá me deter. Nada e nem ninguém. Isso sim é fé. Se não tenho cicatrizes no rosto é porque não deixei a tristeza me marcar. A vitória sempre me esperou.

Para saber mais: http://www.lupusonline.com.br/

Eis o significado da minha camiseta nos dias da Corrente do Bem...

13/12/2009

Mercado do Abraço - Mais uma conquista!

Sua foto não está aqui? Mande um e-mail para anacarolinagprado@hotmail.com!
Dê pistas da sua roupa e mandamos a foto de volta!






Aos meus amigos queridos e aos novos participantes da Corrente do Bem...

Muuuuuuuuuuuuito obrigada!

Vocês são fundamentais!

Um chapéu...

Que todos um dia possam usar um chapéu compatível com suas idéias...
Amanhã tem Corrente do Bem.


11/12/2009

Corrente do Bem em ação!

Pessoal,
Recado para os confirmados e semi-confirmados!
Além de alguns que eu ainda estou insistindo rsss...

Mercado do Abraço

Data: 13/12/2009
Onde: Mercado Central
Ponto de encontro: Entrada da Augusto de Lima
Horário: 8:30
O que levar: Seu apetrecho divertido!
Figurino: Roupas coloridas e tênis no pé!
Um jeito novo de distribuir paz!

09/12/2009

Gula é pecado?

“Tem dias que eu fico pensando na vida, e sinceramente não vejo saída... Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão, só sei que ela está com a razão...” Hoje acordei com as idéias atacadas, com mil planos malucos, com definições meio absurdas e vontades quase incontroláveis. Estou ansiosa, como se daqui a 15 dias eu não estivesse mais aqui, como se o mundo fosse acabar, então “o que você faria, se só restasse esse dia?”

Gula. Como se cada dia fosse o último, sem perder completamente o juízo. Talvez seja só a vontade de viver batendo forte outra vez. Talvez seja eu me libertando das cordas cheias de mofo que me sufocaram nos últimos meses. É uma sensação boa, de ser dona do meu nariz, de poder plantar qualquer sonho e de ter coragem pra correr atrás do que me faz feliz. É como decidir na hora do almoço que vou a Buenos Aires no ano que vem, ou que vou me mudar pra uma casa nova em poucos dias. É como olhar pro mapa da Europa e traçar milhares de roteiros em segundos, como percorrer os corais australianos em um flash. Estar livre, especialmente livre dos medos, das mágoas e das frustrações.

O que um dia me doeu forte, agora é só um sopro. E um dia, em breve, será apenas uma vaga lembrança, aprendizado puro, compaixão de gente evoluída. Não quero e nem gosto de me prender a sentimentos ruins. Acordar elétrica hoje foi como me tirar do carregador da bateria: full. Completamente a postos pra mil imagens, mil memórias, mil coisas que não posso sequer prever. Onde você quer estar daqui a um, cinco ou vinte anos? Continuo não fazendo a menor idéia, mas faço apenas questão de estar feliz.

Abrolhos - 2009
Saudades do Paraíso!

08/12/2009

Destino?

Como os fatos se encaixam na linha do tempo? Como as pessoas se encontram em momentos imprevisíveis e constantemente se abandonam em outros instantes? A vida se encaixa e desaba, o tempo todo, em ciclos. Como as estações do ano, nada é pra sempre, mesmo que seja bom. O lado bom é que tudo que dói também passa. E quando passa, nos abrimos aos novos ciclos, muitas vezes quase idênticos, outras vezes totalmente diferentes.

As calçadas por onde andei, em outros tempos foram cenários de outras vidas e por uma questão simples, a relatividade, estaríamos no mesmo lugar se fosse possível dobrar o tempo. Ou ainda será possível? Naquelas igrejas, um mundo se apresentou em paredes de ouro, até que um dia a decadência transformou o gesso puro em arte numa igreja branca. Aquele relógio do sol é o mesmo, até hoje, há anos. Aquela imagem que eu congelei já foi eternizada por outras tantas pessoas, que agora se conectam a mim pelo simples fato de terem passado por lugares que nos são comuns.

Há muitos anos escrevi sobre Tiradentes, mas só agora, uns 8 anos depois, finalmente conheci sua terra, parte de sua história, trechos de sua memória. Lugares que olhei também sentiram os olhos de tantos outros personagens “alimentados” por nossa história... E quantos personagens não passaram por ali despercebidos, porém não menos importantes nessa conexão atemporal? O lugar onde estou já foi parte da vida de alguém.

Respeitando esse passado e também as possibilidades infinitas do futuro, vale a pena entender o papel do “agora” na construção de um destino que é compartilhado por todos em trilhas invisíveis. A boa e velha teoria do caos, predizendo os efeitos de cada ação em cada ponto do mundo, transformando tsunamis em mensagens, terremotos em aprendizado, enchentes em compaixão. Destino é continuar adiante, mesmo que de vez em quando você não se sinta dono de sua própria vida.



03/12/2009

Tempo Congelado

Congele-se. Pare agora e pense: nesta órbita maluca que é a vida, você está realmente no lugar certo? Congelar o tempo para se encontrar, se enquadrar no cenário, se transformar em estátua para visualizar a si mesmo. Conhece-te a ti mesmo, já disse "o cara". Ou devoro-te, dizia "o enigma". Assim como o dono do tempo dos maias, conseguir carregar o momento, transformar ação em fotografia, movimento em memória. A vida evapora a cada segundo, não perca o seu tempo com um cenário que não é seu. Mova-se.