20/07/2010
18/07/2010
Inquietação Shackletoniana

“O problema é que acabo voltando à minha inquietação, achando que minha vida é ridícula demais diante das grandes possibilidades que o mundo promete... Mas o que eu posso fazer, sem ser irresponsável? (...) Só sei que a sensação de ausência de uma grande aventura sempre vai inquietar minha alma, como se eu tivesse perdido a minha chance”. Registrado por mim na última página do livro “Endurance, a lendária expedição de Shackleton à Antártida”.
Em dois míseros dias, com intervalos para dormir, sair e comer, porém sem a televisão ligada, comecei e terminei a leitura deste livro, que pechinchei de um amigo. Precisava retomar meu hábito de leitura e neste fim de semana criei vergonha nessa minha cara lavada. O problema é que ler sobre uma viagem surreal sempre causa efeitos colaterais em uma oceanógrafa frustrada como eu. Eis o motivo do comentário acima, feito assim que terminei de ler o livro, o qual não necessariamente tem um final feliz.
Depois de passar por momentos inquestionavelmente insuportáveis, Ernest Shackleton (esse de suspensórios na foto) escreveu para sua mulher em 1919: “Às vezes acho que não sirvo para nada além de viajar para lugares bem distantes e desertos, só com um grupo de homens”. Não estou falando da boca pra fora – é uma constatação. Mas há muito tempo eu não desenterrava essa pergunta bem lá do fundo: O que vou fazer de grandioso na minha vida? Não tenho um plano e, entrando no meu inferno astral, sinto esse fantasma rondar mais uma vez as certezas que tenho hoje.
O livro fala de um grupo escolhido a dedo para realizar uma proeza jamais feita por algum outro homem, concretizando uma travessia transcontinental na Antártida. Mas chegar até lá já era um grande desafio, cortando bancos de gelo, encarando um frio doloroso, vivendo uma rotina rígida e com um cardápio monótono. A todo tempo os homens são postos à prova em nome de um objetivo maior, porém sempre comandados por um líder humano. Segundo a autora, Carolina Alexander (curadora de uma exposição sobre o Endurance), Shackleton acreditava “que os indivíduos comuns eram capazes de façanhas heróicas se as circunstâncias o exigissem; os fracos e os fortes podiam e precisavam sobreviver juntos”. Era um líder que enobrecia sua equipe, extraindo “de seus homens uma força e uma resistência que eles jamais imaginaram possuir”.
Além de toda a devoção ao seu objetivo, eis que o verdadeiro líder se descortina. Calmo, simples, perseverante, otimista e preocupado com cada homem de sua equipe. Um dos tripulantes menciona seus cuidados, como se Shackleton medisse ele mesmo os pulsos de cada um para garantir que estavam vivos, mesmo sem que eles notassem e assim não ficassem nervosos com a possibilidade da morte. O Endurance naufragou e rumaram em três barcos menores a um destino incerto. Vendavais, nevascas, privações, roupas molhadas e congeladas - tudo arquitetava um cenário infernal num mundo branco e azul feito de gelo. Da Ilha Elephant à Geórgia do Sul, o impossível se firmou como seu maior feito. Durante todo aquele tempo, o mundo viveu a primeira grande guerra mundial, mas aqueles homens travavam suas próprias lutas pela sobrevivência na natureza hostil de um território inóspito.
Quando retornaram à realidade, alguns conseguiram retomar suas vidas, outros se sentiram vazios e outros resmungaram sobre como “o tempo era ruim em Londres”. Para quem viveu 30 graus abaixo de zero, isso era realmente desconcertante. Muitos trabalharam para contar a história desta expedição, outros tantos viveram tentando repetir aquela sensação. Aquele sofrimento enorme já nem lhe parecia tão intenso diante da grandiosidade do feito. Todos sobreviveram, mesmo aquele tripulante que entrou clandestino no Endurance e acabou com os dedos de um pé amputados. Segundo consta, ele jamais reclamou dos dedos que lhe faltaram até o resto de sua vida. Muitos, no entanto, sempre se sentiram péssimos pelos sacrifícios feitos: fossem dos cães que atrasavam a viagem de sobrevivência, fossem das focas e pingüins que lhes permitiam a luta contra a fome, fosse do gato do carpinteiro.
Na viagem havia um australiano chamado Frank Hurley, com quem talvez eu me identifique (o outro personagem na imagem). Meio egocêntrico, otimista, esforçado e até idealizador de algumas engenhocas que possibilitaram algum conforto durante a aventura. Aos olhos de Shackleton, talvez uma ameaça à sua liderança, apesar de Frank sempre registrar em seus diários sua enorme admiração por Ernest como um líder. Mas especialmente por ser alguém que se arriscava pela fotografia que melhor expressasse o sentimento de cada momento, sempre pensando em como garantir que aquela história seria devidamente representada posteriormente. Imagens belíssimas, que depois ele também burlaria em nome da propaganda necessária aos seus negócios. Hurley contou através de suas imagens exatamente aquilo que nossa imaginação elabora a cada momento em que adentramos no livro.
Sempre que viajo em minhas humildes aventuras “cevecenianas”, já volto para casa com saudade do que vivi. Como se um pedaço de mim ficasse em cada canto em que estive, como se eu criasse um vínculo com aquele lugar e com cada episódio. Assim como Hurley, também acredito que uma imagem pode falar muito mais que mil palavras e estou sempre com a câmera em punho. Retrato minhas pequenitudes e já as vejo como enormidades! Imagine só um navio sendo engolido pelo gelo, ou a primeira imagem de uma terra onde a humanidade nunca esteve. Era como pisar na Lua, fato histórico que poucos tripulantes acompanharam em suas idades avançadas. Qual será então a sensação de deixar um lugar onde cada um morreu e renasceu todo maldito dia, todos movidos pela perseverança numa epopéia heróica? Naquelas circunstâncias, todos eram simplesmente imortais.
Em dois míseros dias, com intervalos para dormir, sair e comer, porém sem a televisão ligada, comecei e terminei a leitura deste livro, que pechinchei de um amigo. Precisava retomar meu hábito de leitura e neste fim de semana criei vergonha nessa minha cara lavada. O problema é que ler sobre uma viagem surreal sempre causa efeitos colaterais em uma oceanógrafa frustrada como eu. Eis o motivo do comentário acima, feito assim que terminei de ler o livro, o qual não necessariamente tem um final feliz.
Depois de passar por momentos inquestionavelmente insuportáveis, Ernest Shackleton (esse de suspensórios na foto) escreveu para sua mulher em 1919: “Às vezes acho que não sirvo para nada além de viajar para lugares bem distantes e desertos, só com um grupo de homens”. Não estou falando da boca pra fora – é uma constatação. Mas há muito tempo eu não desenterrava essa pergunta bem lá do fundo: O que vou fazer de grandioso na minha vida? Não tenho um plano e, entrando no meu inferno astral, sinto esse fantasma rondar mais uma vez as certezas que tenho hoje.
O livro fala de um grupo escolhido a dedo para realizar uma proeza jamais feita por algum outro homem, concretizando uma travessia transcontinental na Antártida. Mas chegar até lá já era um grande desafio, cortando bancos de gelo, encarando um frio doloroso, vivendo uma rotina rígida e com um cardápio monótono. A todo tempo os homens são postos à prova em nome de um objetivo maior, porém sempre comandados por um líder humano. Segundo a autora, Carolina Alexander (curadora de uma exposição sobre o Endurance), Shackleton acreditava “que os indivíduos comuns eram capazes de façanhas heróicas se as circunstâncias o exigissem; os fracos e os fortes podiam e precisavam sobreviver juntos”. Era um líder que enobrecia sua equipe, extraindo “de seus homens uma força e uma resistência que eles jamais imaginaram possuir”.
Além de toda a devoção ao seu objetivo, eis que o verdadeiro líder se descortina. Calmo, simples, perseverante, otimista e preocupado com cada homem de sua equipe. Um dos tripulantes menciona seus cuidados, como se Shackleton medisse ele mesmo os pulsos de cada um para garantir que estavam vivos, mesmo sem que eles notassem e assim não ficassem nervosos com a possibilidade da morte. O Endurance naufragou e rumaram em três barcos menores a um destino incerto. Vendavais, nevascas, privações, roupas molhadas e congeladas - tudo arquitetava um cenário infernal num mundo branco e azul feito de gelo. Da Ilha Elephant à Geórgia do Sul, o impossível se firmou como seu maior feito. Durante todo aquele tempo, o mundo viveu a primeira grande guerra mundial, mas aqueles homens travavam suas próprias lutas pela sobrevivência na natureza hostil de um território inóspito.
Quando retornaram à realidade, alguns conseguiram retomar suas vidas, outros se sentiram vazios e outros resmungaram sobre como “o tempo era ruim em Londres”. Para quem viveu 30 graus abaixo de zero, isso era realmente desconcertante. Muitos trabalharam para contar a história desta expedição, outros tantos viveram tentando repetir aquela sensação. Aquele sofrimento enorme já nem lhe parecia tão intenso diante da grandiosidade do feito. Todos sobreviveram, mesmo aquele tripulante que entrou clandestino no Endurance e acabou com os dedos de um pé amputados. Segundo consta, ele jamais reclamou dos dedos que lhe faltaram até o resto de sua vida. Muitos, no entanto, sempre se sentiram péssimos pelos sacrifícios feitos: fossem dos cães que atrasavam a viagem de sobrevivência, fossem das focas e pingüins que lhes permitiam a luta contra a fome, fosse do gato do carpinteiro.
Na viagem havia um australiano chamado Frank Hurley, com quem talvez eu me identifique (o outro personagem na imagem). Meio egocêntrico, otimista, esforçado e até idealizador de algumas engenhocas que possibilitaram algum conforto durante a aventura. Aos olhos de Shackleton, talvez uma ameaça à sua liderança, apesar de Frank sempre registrar em seus diários sua enorme admiração por Ernest como um líder. Mas especialmente por ser alguém que se arriscava pela fotografia que melhor expressasse o sentimento de cada momento, sempre pensando em como garantir que aquela história seria devidamente representada posteriormente. Imagens belíssimas, que depois ele também burlaria em nome da propaganda necessária aos seus negócios. Hurley contou através de suas imagens exatamente aquilo que nossa imaginação elabora a cada momento em que adentramos no livro.
Sempre que viajo em minhas humildes aventuras “cevecenianas”, já volto para casa com saudade do que vivi. Como se um pedaço de mim ficasse em cada canto em que estive, como se eu criasse um vínculo com aquele lugar e com cada episódio. Assim como Hurley, também acredito que uma imagem pode falar muito mais que mil palavras e estou sempre com a câmera em punho. Retrato minhas pequenitudes e já as vejo como enormidades! Imagine só um navio sendo engolido pelo gelo, ou a primeira imagem de uma terra onde a humanidade nunca esteve. Era como pisar na Lua, fato histórico que poucos tripulantes acompanharam em suas idades avançadas. Qual será então a sensação de deixar um lugar onde cada um morreu e renasceu todo maldito dia, todos movidos pela perseverança numa epopéia heróica? Naquelas circunstâncias, todos eram simplesmente imortais.
16/07/2010
Você, um ser social
Vivemos à mercê dos nossos círculos sociais. Alguns herdados, outros conquistados, alguns quase cármicos. Estamos constantemente buscando raízes, semelhanças e reconhecimento no próximo. Algo que nos identifique como parte de um grupo, como lobo na alcatéia, como fatia do todo. Essa necessidade constante de estar sempre rodeado por quem escolhemos, especialmente. Uma carência típica do animal humano - aquele que precisa do outro para se auto-afirmar e para se diferenciar. Somos o que somos graças aos detalhes, o que inclui as relações que estabelecemos. Eu sempre fui loba da estepe, como diria Hermann Hesse...
A diferença mora exatamente na escolha. Quando não escolhemos e somos escolhidos, temos duas alternativas: ou nos movemos para procurar o grupo certo ou nos moldamos àquilo que antes não admirávamos. Se nos congelamos diante da pressão para sermos parte de um grupo dito como ideal, porém completamente inadequado aos nossos desejos, tendemos a perder nossa essência básica. Somos então moldados por pressões do meio, do convívio e dos paradigmas que contrariam nossa vontade primordial: a liberdade. A velha máxima daquele sociólogo e que nos irrita: “O homem é produto do meio”... Preconceito ou constatação?
Vivemos hoje num grande circo de pressupostos sociais, sempre nos tachando indevidamente, de acordo com modelos de vida previamente estabelecidos como perfeitos ou supostamente “normais”. Eis a pergunta: quem insiste em não olhar a história humana e permanece sem entender que tudo é perene e se transforma? Se um modelo de vida, de relação ou de atitude um dia foi revolucionário, hoje pode ser básico e um dia se tornar arcaico. Pois a sociedade muda à medida que o homem almeja um novo território ou um novo sentimento. E relacionar-se é fundamentalmente uma nova experiência “constante”.
Portanto, não se prenda a pensamentos pré-definidos, a regras sociais que ditam moda, parâmetros, profissões, idéias e ideologias. É fundamental ser autêntico para que você nunca se arrependa por ser uma “Maria vai com as outras”, nem um “Zé Ninguém” ou o famoso “Zero à esquerda”. Se você não lutar para definir seu próprio caminho, para se firmar como pessoa única e particular, para selecionar as pessoas que te cercam, você acabará escolhido como uma peça qualquer numa loja de departamento: mais um, mais um! Fotografia de prateleira? Boneca inflável? Bijouteria?
Não somos fabricados em série. Encontramos semelhanças a todo instante, mas somos ainda “mais” quanto ao teor de individualidades. Você pode ter um universo infinito de amigos e conhecidos. Você pode gostar de rock e música clássica ao mesmo tempo. Você não precisa seguir a tendência capitalista, nem ter o carro do ano, muito menos estar sempre cumprindo com padrões comportamentais que não te competem. Aldous Huxley, em “Admirável Mundo Novo” (Primeira edição em 1941), sabiamente escreveu:
“Porque era preciso, naturalmente, que tivessem alguma idéia de conjunto para poderem fazer seu trabalho inteligentemente. (...) Porque os detalhes, como se sabe, conduzem à virtude e à felicidade; as generalidades são males intelectualmente necessários. Não só os filósofos, mas sim os colecionadores de selos e marceneiros amadores que constituem a espinha dorsal da sociedade.”
A diferença mora exatamente na escolha. Quando não escolhemos e somos escolhidos, temos duas alternativas: ou nos movemos para procurar o grupo certo ou nos moldamos àquilo que antes não admirávamos. Se nos congelamos diante da pressão para sermos parte de um grupo dito como ideal, porém completamente inadequado aos nossos desejos, tendemos a perder nossa essência básica. Somos então moldados por pressões do meio, do convívio e dos paradigmas que contrariam nossa vontade primordial: a liberdade. A velha máxima daquele sociólogo e que nos irrita: “O homem é produto do meio”... Preconceito ou constatação?
Vivemos hoje num grande circo de pressupostos sociais, sempre nos tachando indevidamente, de acordo com modelos de vida previamente estabelecidos como perfeitos ou supostamente “normais”. Eis a pergunta: quem insiste em não olhar a história humana e permanece sem entender que tudo é perene e se transforma? Se um modelo de vida, de relação ou de atitude um dia foi revolucionário, hoje pode ser básico e um dia se tornar arcaico. Pois a sociedade muda à medida que o homem almeja um novo território ou um novo sentimento. E relacionar-se é fundamentalmente uma nova experiência “constante”.
Portanto, não se prenda a pensamentos pré-definidos, a regras sociais que ditam moda, parâmetros, profissões, idéias e ideologias. É fundamental ser autêntico para que você nunca se arrependa por ser uma “Maria vai com as outras”, nem um “Zé Ninguém” ou o famoso “Zero à esquerda”. Se você não lutar para definir seu próprio caminho, para se firmar como pessoa única e particular, para selecionar as pessoas que te cercam, você acabará escolhido como uma peça qualquer numa loja de departamento: mais um, mais um! Fotografia de prateleira? Boneca inflável? Bijouteria?
Não somos fabricados em série. Encontramos semelhanças a todo instante, mas somos ainda “mais” quanto ao teor de individualidades. Você pode ter um universo infinito de amigos e conhecidos. Você pode gostar de rock e música clássica ao mesmo tempo. Você não precisa seguir a tendência capitalista, nem ter o carro do ano, muito menos estar sempre cumprindo com padrões comportamentais que não te competem. Aldous Huxley, em “Admirável Mundo Novo” (Primeira edição em 1941), sabiamente escreveu:
“Porque era preciso, naturalmente, que tivessem alguma idéia de conjunto para poderem fazer seu trabalho inteligentemente. (...) Porque os detalhes, como se sabe, conduzem à virtude e à felicidade; as generalidades são males intelectualmente necessários. Não só os filósofos, mas sim os colecionadores de selos e marceneiros amadores que constituem a espinha dorsal da sociedade.”
Quem é você dentre os seus iguais?
Aldous Huxley - 1894/1963
Texto encomendado por Mariana Sarno
15/07/2010
Avó outra vez

Ontem encontrei mais um filhote no meu aquário. Em homenagem ao episódio, segue uma cópia do comunicado de 12/05, feito por e-mail. Apenas para ilustrar os lances cômicos que acontecem nesse mundo animal(esco).
Sou bisavó!
Há uns 6 meses meus guppys procriaram. Quem se lembra da saga? Um domingo inteirinho vigiando o aquário. Resultado? 31 filhotes da mesma mãe. Claro, o bendito do pai nem deu bola, quem teve que socorrer fui eu - a avó! Duas semanas depois a mãe faleceu, muito fraca, tadinha. Cuidei dos meus netinhos e ainda adotei mais um que nasceu em Itaúna. 32 filhotes. O tempo passou, estão bonitinhos, uma parte considerável sobreviveu. Acho que uns 23 estão vivos. Claro, estatística de uma avó coruja. Alguns se desenvolveram mais. Sempre tem o mais forte e o mais fraco. Alguns parecem ter 2 meses ainda! Serão meus olhos de avó que insiste em achar que todo mundo tem cara de neto?
Enfim, pra mim eles são ainda adolescentes, no máximo 15 anos. Alguns com cara de 11 anos. Como avó, nem me preocupei com a educação sexual deles. Afinal, isso é coisa de pai e mãe, até mesmo da professora do colégio. Bem feito!!!! Ontem, meia-noite, olhei pro aquário e lá veio o susto! Um filhote!!! Meu Deus, quem é a piranhazinha da minha neta que deu cria? Quem é o puto que fez essa sacanagem? A menina nem foi pra faculdade! Não sei, não dá pra ter certeza. 3 são mais peitudinhas. 2 machinhos já são coloridos. Mas eu não vi naaaaaaadaaaa! Como isso aconteceu? Bem debaixo dos meus olhos! No meu próprio quarto???
Corri, peguei a maternidade, arranjei tudo pra deslocar o baby. Senão, ele ia levar pancada dos mais velhos. Ainda bem que comprei uma rede ultra fina... Quando achei o primeiro, não vi que havia um segundo! Enfim, agora sou bisavó de gêmeos, separados dos pais ao nascer. Quem sabe assim evito as más influências! Tomara que não sejam tão precoces quando a mãe e o pai, que por sinal são irmãos – meu Deus, um incesto no meu aquárioooo!!! O que será desse mundo pervertido e sem consciência?
14/07/2010
Só acontece comigo?
TEXTO CENSURADO...
Observação: Advogada, querida! Tôooo por cima! Kkkk
Observação: Advogada, querida! Tôooo por cima! Kkkk
Quem vai descer pelo cano (ou tomar um) não seremos nós!
11/07/2010
O que você faria?
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1295373-7823-DOENCA+RARISSIMA+DE+UM+MENINO+FAZ+FAMILIA+PEDIR+AJUDA+A+MEDICOS+DO+MUNDO+TODO,00.html
Como você reagiria às sutilezas de um destino como este?
Como você reagiria às sutilezas de um destino como este?
10/07/2010
Era uma vez...
Num reino “tão tão distante”, era uma vez. Era uma vez uma garota que antes se sentia sozinha constantemente, sem conseguir sobreviver somente com sua própria presença. Solitária em qualquer multidão, por mais que o mundo fosse muito maior do outro lado da rua. A garota se sentia sem prumo, sem leme, nem sequer uma bússola. Pulava tijolos dourados, numa terra de homens de lata, leões falantes e espantalhos estranhos. Sem contar com o elefante que voava com suas orelhas gigantes.
A garota tropeçou em muitos tijolos, de tamanhos variados. Não adiantaria plantar sementes de árvores mágicas, pois o céu não era certeza. Caiu em buracos e correu atrás de coelhos e ilusões, conhecendo a si mesma. Decifra-me, pois devoro-te, sempre dizia seu destino no sorriso de um gato capcioso. Afinal, quem mandou confiar numa lagarta azul e acreditar que todo mundo se transforma em borboleta?
Como miúda e crédula libélula que era, ainda tentou outros vôos. Asas transparentes, ainda com contornos frágeis ao vento. Alma translúcida, pois insetos não têm sangue. Faltava-lhe cor, pulso. Mas ainda havia uma esperança: o pote de ouro escondido em algum arco-íris. Restava procurar o arco certo, com as cores compatíveis com sua (trans)lucidez. Haveria naquela terra do nunca algum tipo de chance para uma mudança? Ou viveria com medo de um capitão sem mão e sem coração?
Crescer não era fácil, duvidar do próximo passo era sempre angustiante. Não que acreditasse em príncipes, muito menos em tranças para um resgate. Não esperava sequer por um sapo, mas ainda lhe faltava algo. Anos se passaram como se fossem séculos, até que uma cadeia de acontecimentos mudava sua rotina imperceptivelmente, porém definitivamente. A moldura não mais de uma Monalisa, mas de borboletas de um “salvador” movendo cata-ventos. Enfim, dali viria a sua salvação... Aqueles ventos tão esperados!
A garota tropeçou em muitos tijolos, de tamanhos variados. Não adiantaria plantar sementes de árvores mágicas, pois o céu não era certeza. Caiu em buracos e correu atrás de coelhos e ilusões, conhecendo a si mesma. Decifra-me, pois devoro-te, sempre dizia seu destino no sorriso de um gato capcioso. Afinal, quem mandou confiar numa lagarta azul e acreditar que todo mundo se transforma em borboleta?
Como miúda e crédula libélula que era, ainda tentou outros vôos. Asas transparentes, ainda com contornos frágeis ao vento. Alma translúcida, pois insetos não têm sangue. Faltava-lhe cor, pulso. Mas ainda havia uma esperança: o pote de ouro escondido em algum arco-íris. Restava procurar o arco certo, com as cores compatíveis com sua (trans)lucidez. Haveria naquela terra do nunca algum tipo de chance para uma mudança? Ou viveria com medo de um capitão sem mão e sem coração?
Crescer não era fácil, duvidar do próximo passo era sempre angustiante. Não que acreditasse em príncipes, muito menos em tranças para um resgate. Não esperava sequer por um sapo, mas ainda lhe faltava algo. Anos se passaram como se fossem séculos, até que uma cadeia de acontecimentos mudava sua rotina imperceptivelmente, porém definitivamente. A moldura não mais de uma Monalisa, mas de borboletas de um “salvador” movendo cata-ventos. Enfim, dali viria a sua salvação... Aqueles ventos tão esperados!

Quando percebeu, estava em sua torre, mas não presa. Não havia um encantamento que lhe fazia esperar por algo que viesse daquele mundo lá fora. Era dona de sua própria janela, escolhia seus próprios cometas e luas. O jardim só colhia rosas cativadas por pequenos príncipes diários: seus próprios sonhos. Colhia doces pelo caminho sem temer uma bruxa má, querendo cortar seus dedos. Encarando todos os dias uma floresta, sem lobo mau, sem maçã envenenada. Tudo podia ser mais simples e mais prazeiroso, sem receiros, sem preconceitos, sem espinhos.
Não era agora uma princesa, sequer uma fada, muito menos uma donzela singela. Era libélula reformada, sem querer ser borboleta apenas por suas cores, tão finitas como a transparência natural que já lhe cabia e não lhe pesava. Tudo era finito, não existem vampiros. Bastava seguir adiante, transformando passeios cinzentos em caminhos verdejantes e tão simples quanto necessário fosse. Acompanhada de burros falantes ou de gatos de botas? Não faria tanta diferença, pois agora ela bastava a si mesma. Qualquer um que se unisse ao seu percurso, sem expectativas desleais, era simplesmente mais um convidado para um grande baile. Mas não haveria um sapato na escada à meia-noite, certa de suas convicções e sem depender das vontades alheias.
Ela ainda não sabe o que lhe espera, nem mesmo naquele reino “tão tão distante” ou dentro de sua torre cuidadosamente adaptada ao seu umbigo. Aquela incerteza permanece, porém só do lado de fora. Por dentro agora é muito mais do que reflexo - era plenitude e dominância. Agora seguia sem anões, sem rainhas de copas, sem nenhum tipo de medo infundado. Só sabia que o caminho era longo, ainda infinito em sua aparente longevidade. Mesmo que cada dia fosse volátil como o brilho de uma fada minúscula, tudo se tornara mais leve quando se permitia viver como um garoto perdido, sem a cobrança de um dia ser gente grande. Um dia de cada vez, acompanhada das asas que realmente lhe cabem.
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