29/09/2010
27/09/2010
Choveu
Eis uma explicação climática para dias tão turbulentos. Nunca vivi um mês de setembro tão duro, tão dolorido e ácido. Demorou a chover! Sem água, não dá pra amolecer. Não há pedra que se molde sem força ou sem constância. Já sei há um bom tempo que, no meu caso, só a constância dá um jeito nas coisas.
Não consigo dizer o que me atinge, ou talvez eu saiba: é o simples fato de não saber O QUE me angustia. Porque dói, mesmo que eu não consiga dizer aonde, nem como, nem a origem. Não ter controle sobre esse medo que não pára é como entrar numa onda de pânico, como se tudo estivesse no lugar errado.
Mas só hoje a chuva chegou, fina e sutil, amaciando a terra dura, abaixando toda essa poeira. Espero que esse seja o sinal de que finalmente vou conseguir me “desligar”, me permitir de novo a leveza, uma certa falta de compromisso, uma inconseqüência corajosa. E quem sabe, quando a chuva finalmente penetrar a profundidade necessária, a terra há de se tornar fértil de novo, propícia aos novos planos, solidária aos meus medos constantes.
23/09/2010
Desligando...
Claro, lutas internas são sempre batalhas mais cansativas e duradouras. Só se vence quando a idéia por si só desiste de aterrorizar, não há como tornar um ou outro exército repentinamente mais forte e eficaz. A idéia só se esvai com o bendito tempo, quando as coisas se resolvem por si mesmas, sem que nossas influências possam afetá-las. Quando a luta é contra o próprio pensamento, não existem vitórias que possam ser travadas do lado de fora...
Não basta reunir forças no que já fizemos de bom, na coragem que supostamente tivemos, nas nossas qualidades e muito menos no quanto somos amados (talvez até odiados). Tudo isso parece insignificante quando o que se sente é causado por uma simples falta de prazer, falta de sonhos, falta de querer. Quando não se pode atacar o problema, quando não há o que esperar, toda a falta de propósito cega, porque não sabemos aonde vamos chegar.
Andar, andar, andar, sem rumo, é coisa pra gente insana. E não consigo ser tão leve e desapegada ao ponto de esquecer que estou simplesmente perdendo um tremendo tempo. Falta alguma coisa. Mesmo que eu ainda não saiba o que é. Só sei que não é uma coisa que dependa de outra pessoa, é um buraco negro dentro do que eu mesma esperava ser. E quando se luta contra um mal invisível, que não aparece em exames médicos, que não se concretiza em falhas constantes, muito menos em choro constante, fica difícil convocar o exército certo.
22/09/2010
Desligar, controlar e retomar
Venho sofrendo de um mal - velho conhecido. Sinto aquela “(...) a desoladora incapacidade de sustentar o contentamento.” Como se tudo fosse tão volátil e inflamável como álcool, sem deixar sequer vestígios da intensa alegria momentânea. E, convenhamos, isso deixa qualquer um decepcionado com sua própria capacidade de se manter auto-motivado, ativo, altivo, vivo.
“O que sei é o seguinte: estou exausta com as conseqüências cumulativas de uma vida de escolhas apressadas e paixões caóticas.” Escolhas feitas por pressão, outras pelo destino, outras por minha própria ansiedade. Não dá pra esconder de mim mesma como gostaria de ter aquele controle remoto que pula o que incomoda, o que pesa, o que desgasta. E colocar em câmera lenta aquilo que é bom e que nos completa verdadeiramente. O caos e a pressa me esgotaram, preciso de um tempo pra voltar a velha rotina de ser quem sou, ou talvez quem todos esperam que eu seja...
“Bhagavad Gita – aquele antigo texto iogue indiano – diz que é melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição.” Entretanto todos podem julgar tudo isso como angustiante, ou como ingratidão, sem pensar na carga de responsabilidade que carrego todos os dias. Ser sempre a amiga presente, ser sempre a racional a quem recorrer, ser sempre a companheira de conversas frívolas ou profundas. Ser sempre o que o outro espera. Não consigo mais estar em tudo e com todos.
Claro que não consigo viver sozinha... “Mas sou inteiramente tragada pela pessoa que amo. Sou como uma membrana permeável. Se eu amo você, lhe dou tudo que tenho. (...) protegerei você de sua própria insegurança.” E lá vem o peso de novo! A culpa é toda minha, eu acho. Sempre estive aqui, o tempo todo, pra todo mundo. Fato é que também tive todos ao meu lado quando precisei, sem pestanejar, mas ainda preciso de um tempo na minha redoma, no meu castigo pessoal.
“Como a maior parte dos humanóides, carrego o fardo daquilo que os budistas chamam de ‘mente macaco’ – pensamentos que pulam de galho em galho.” Preciso organizar minhas idéias, aliviar a pressão, evitar que o coração aperte. E quanto mais absorvo do mundo lá fora, mais macaco me sinto. E estou cansada de pular de galho em galho. Não se trata de insatisfação, trata-se de uma viagem sozinha, rumo a um lugar que espera por mim, só por mim...
Preciso exercitar meu coração, endurecido arduamente nos últimos tempos. “A flexibilidade é tão essencial para a divindade quanto a disciplina.” Preciso vigiar meus vícios, minhas fraquezas, ao mesmo tempo que devo me permitir ser leve e desapegada. Talvez assim eu de fato aceite que tudo passa e “(...) que toda a tristeza e dificuldade deste mundo é causada por pessoas infelizes.”
11/09/2010
Onde
A sensação que tenho é de que por algum motivo estou perdendo um tempo enorme, afinal, o mundo é muito grande. Mas essa mania astrológica de ser planejada, realista e concreta me impede de fazer coisas que talvez realmente satisfizessem meu lado pisciano. Claro, o lado virginiano acha tudo um máximo. Mas e o mundo? Quem sou eu aqui, estática, congelada, entediada, sem planos a curto prazo? Longo prazo - o que é isso?
Não quero viver presa às mediocridades, tenho andado mais calada para talvez ser menos medíocre. Sim, sou uma boba falante, que espirra os sonhos pelos cotovelos. Trago pra mim a inveja alheia, acabo ouvindo opiniões desnecessárias. E por fim desabafo numa realidade também criada para ser meu esconderijo: mas, claro, não posso me esconder do mundo, ainda assim falo mais do que deveria.
Se eu pudesse me teletransportar, não estaria aqui e nem em algum lugar já conhecido. Estaria provavelmente em um cenário completamente estranho aos meus olhos, me permitindo a minha verdadeira vocação: a descoberta, a aventura. Afinal, eis o motivo do nome deste blog, motivo este que se desviou ao longo destes últimos meses onde tive que ser um pouco menos “eu”.
06/09/2010
You Can't
Rolling Stones
Composição: Keith Richards / Mick Jagger
You Can't Always Get What You Want
I saw her today at the reception
A glass of wine in her hand.
I knew she was gonna meet her connection,
At her feet was a footloose man.
And you can't always get what you want,
Honey, you can't always get what you want.
You can't always get what you want
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!
I went down to the demonstration
To get our fair share of abuse,
Singing, "We gonna vent our frustration."
If we don't we're gonna blow a fifty amp fuse.
So, I went to the Chelsea Drugstore
To get your prescription filled.
I was standing in line with my friend, Mr. Jimmy.
And man, did he look pretty ill.
We decided that we would have a soda,
My favorite flavour was cherry red.
I sing this song to my friend, Jimmy,
And he said one word to me and that was "dead."
And I said to him
And you can't always get what you want, honey.
You can't always get what you want.
You can't always get what you want.
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!
I saw her today at the reception.
In her glass was a bleeding man.
She was practiced at the art of deception;
I could tell by her blood-stained hands.
And you can't always get what you want, honey.
You can't always get what you want.
You can't always get what you want,
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!
And you can't always get what you want, honey,
You can't always get what you want,
You cant always get what you want,
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need
A vida é assim...
Você não pode ter sempre o que quer
Querida, você não pode ter sempre o que quer
Você não pode ter sempre o que quer
Mas se você tentar às vezes, sim
Você vai encontrar o que precisa
01/09/2010
Pólos e Tango em Cores





Reconheci cores, fotografias, ritmos, gente que transforma objetos inanimados em ação. Enquanto outros reconheceram balé clássico ou moderno, movimentos que simbolizam a relação humana, tules, melodias e diferentes tipos de tango. Eis a beleza da arte: o seu olhar é sempre um novo resultado, sempre uma experiência única, particular e indivisível. A arte é sempre só sua, só minha.

Imagens dos Espetáculos "Ímã" e "Lecuona" do Grupo Corpo.
Obs: Ju Mayrink, obrigada!


