30/11/2009

O Futuro num Segundo


Hoje uma pessoa muito querida, e que conheci recentemente, me disse que tem medo do futuro. Pois eu tenho medo é de viver com uma saudade constante do passado. O futuro pode ser tudo que sonharmos, tudo que desejarmos. Não há o que temer de algo que ainda não aconteceu e que tem infinitas possibilidades... O futuro é uma exponencial! Tenho medo é do passado que não posso mudar, daquilo que não posso consertar. Quanto ao futuro? Que venha, sem correr!

No futuro, posso ser quem eu quiser. No futuro, posso fazer tudo. Sem esquecer que o futuro é conseqüência direta deste “agora” – o que plantamos, colhemos. Todos os dias eu me pergunto: até que ponto também não estou errando, quando é que serei cobrada por minhas más ações ou recompensada pelos meus bons feitos? O que plantei hoje, assegura o meu amanhã? Se consigo uma resposta positiva, sinto alívio. O “amanhã” já me conforta. Sem crime, sem castigo.

Ao meu “amigo” que está a quilômetros de distância, só tenho um recado: não desperdice seu medo com aquilo que não conhece. Se somos obrigados a esperar, que seja o verbo esperar que nos remete à “esperança”. Se não podemos prever o futuro, que façamos planos sempre revolucionários, otimistas, felizes! De nada adianta especular cenários que provavelmente nos surpreenderão. E quando esse futuro de repente virar agora e no outro segundo virar ontem, você descobrirá que ficou preso a um relógio que foi inventado pelo homem, e não pelo próprio tempo.

29/11/2009

Mistérios em Galápagos

Acordei pensando no meu velho sonho de ser oceanógrafa. A vida me levou a rumos diferentes, mas qualquer mínima oportunidade de viver este velho sonho sempre é muito bem aproveitada. Hoje liguei a TV e pela segunda vez na mesma semana me deparei com Galápagos, um dos meus sonhos como “bióloga frustrada”. Contando ainda com uma ponta de arqueóloga, astrônoma e fotógrafa, claro.

Amo flores amarelas: ipês e girassóis, principalmente. Em Galápagos, a única espécie de abelha que habita as ilhas busca somente flores amarelas, ou seja, qualquer outra flor que não seja amarela já está oficialmente prejudicada na onda da evolução e da permanência das espécies, dependendo de outros animais que façam a “caridade” de espalhar seu pólen. Misteriosamente as abelhas selecionam as flores amarelas, assim como eu faço.

Em Galápagos, uma espécie de pássaros predomina: os tentilhões. Porém, são 3 tipos diferenciados pelos bicos, ajustados às suas funções numa cadeia alimentar perfeita. Cada bico, um alimento. Cada ilha, uma adaptação exclusiva. Fragatas mostram seu papo vermelho nos rituais de acasalamento e curiosamente o macho têm um enorme cuidado com sua fêmea por causa da concorrência. Obs: Ah, se os homens fossem assim!

Galápagos surgiu de grandes erupções vulcânicas e nas fendas criadas em suas rochas, os petréis fazem seus ninhos, mesmo que ainda assim as corujas encontrem e devorem seus ovos. Outros pássaros fazem seus ninhos em cactos, protegendo-se com ajuda dos espinhos. Foi assim que Darwin chegou à conclusão de que aquele território inóspito era na verdade o Jardim do Éden, um paraíso transformando vidas.

Os cachalotes, chamados de “leviatãs dos mares” durante as grandes navegações, hoje estão protegidos e mergulham a cerca de 900 metros em busca de alimento: lulas. De grandes monstros a grandes preciosidades, hoje protegidas e que me deixam particularmente encantada... Ainda bem que o mar é bem grande! Se uma jubarte é quase 2/3 de um avião, imaginem só um cachalote como Mobby Dick?

O navio de Darwin partiu em 20/10/1835, mas ele nunca mais retornou ao lugar que inspirou “A Origem das Espécies”. Você conhece a origem do nome “Galápagos”? Algumas tartarugas gigantes, também adaptadas a cada ilha deste arquipélago, apresentavam uma curvatura em seus cascos que permitia o alongamento do pescoço até os alimentos mais altos, no formato de uma cela. “Galápago” é “cela espanhola”. Essas grandes tartarugas dominavam as ilhas na época de sua exploração e por este motivo o arquipélago ganhou o nome do “animal nativo” que alimentou as tripulações durantes anos e anos de viagens e aventuras. Hoje as tartarugas gigantes estão protegidas e perpetuam as teorias de Darwin.

E o que isso tem a ver comigo? Tudo. Os meus sonhos mais remotos habitam lugares como Galápagos. Outros dois lugares almejados durante toda a minha infância eu já alcancei: Fernando de Noronha e Abrolhos. Não é que eu tenha menos a falar sobre eles, pelo contrário. Mas é que hoje senti saudade do meu futuro, e não do meu passado. E tenho certeza de que em algum momento do meu futuro estarão as ilhas de Galápagos, mesmo que isso ainda leve alguns anos. Estarei lá.

Fernando de Noronha - 2005

Fernando de Noronha - 2005

Abrolhos - 2009
Abrolhos - 2009

Esses olhos amarelos e vibrantes alcançam nossos pensamentos mais secretos...

O mundo é pequeno pra mim...

Dentro de Casa:
Fernando de Noronha – OK em 2005
Abrolhos – OK em 2009
Ouro Preto – OK em 2008
Rio de Janeiro – OK em 2008 (mas merece uma segunda viagem)
Guarda do Embaú
Ilha Grande
Ilhabela
Arraial do Cabo
Salvador (Carnaval)

Territórios Distantes:
Ilha de Páscoa
Machu Picchu
Galápagos
Cartagena de las Índias
Patagônia
Buenos Aires
Chichen Itza – OK em 2008
Cancun – OK em 2008
Cozumel (infelizmente em 2008 não deu)
Ilhas Maldivas
Polinésia Francesa
África do Sul (incluindo safári)
China (especialmente a Grande Muralha)
Cocos Kelling (Austrália)
Capadócia (Turquia)
Espanha (no geral)
Egito
Paris
Londres

Minha Teoria da Relatividade: quanto maior o tempo viajando, mais o tempo passa devagar. Preciso correr contra o tempo...

Fernando de Noronha - 2005

28/11/2009

Trilha Sonora da Corrente do Bem

A Corrente do Bem contaminou algumas pessoas. Fico feliz por isso!

Recado do Jonas Augusto (o doador do mapa): "Meninas, pensando na missão da paz que vocês estão propondo ao mundo, escrevi uma música ontem e doei para um banda muito conhecida em Betim e em alguns estados - CLARO ENIGMA, (...) a música estará lá no segundo CD e dedico para vocês, em 1ª mão, o primeiro esboço (...).É uma forma de ajudar essa corrente, pois a música é um meio de comunicação fantástico."

Hino da Paz

Pelas ruas e com a lua, ela vai sem direção.
Sua calça está rasgada e seus cabelos arrastam no chão.
Ninguém sabe exatamente o que aconteceu,
Ana Luiza se perdeu!

O mundo inteiro está parado,
Assistindo a própria morte, velada pelo tempo.

As crianças não ensinam mais,
pois o abraço ficou perdido nas lembranças,
mas a musicalidade da vida não se encerrrou...
Apenas esquecemos o refrão!

Viver é manter a luz nos olhos, é abraçar.
É acima de tudo caminhar em direção a Paz.

Refrão:
Seu abraço é o calor que me aquece,
Vamos fazer uma corrente pra ninguém morrer de frio.


Obrigada, Jonas!

25/11/2009

Por onde andas, Carolina?

Trombei hoje com a Carolina de Casimiro de Abreu. Uma Carolina que hoje não sou, mas que eu talvez já tenha sido um dia. Tudo que vem me mudando, ou que ainda me modificará, me afasta daquela Carolina de Casimiro. Uma Carolina que fui aos 17 anos, apaixonada por ipês amarelos, lutando contra o lobo da estepe que insistia em me desesperançar e acreditando em mares azuis de Jacques Cousteau. Hermann Hesse saberia bem do que estou falando...

De Aldous Huxley a Richard Bach, não sou parâmetro no quesito leitura. Huxley só me deixou com mais dúvidas sobre aquele destino pré-determinado que me incomoda... Bach me reporta ao Fernão Capelo Gaivota que sempre vai morar em mim. Carl Sagan soube me dizer o que eu pensava sobre fé sem me conhecer e sem prever as estrelas que eu teria no pulso. Até mesmo me enxergar por um fio nas palavras de Dráuzio Varella. Cada momento, uma leitura. Desde os livros no topo da lista aos livros desconhecidos, a questão era como chegavam a mim...

Assim como a Carolina de Casimiro, tomei o ônibus rumo a uma grande mudança. A outra Carolina estava lá graças ao projeto “A Tela e o Texto” dos alunos da UFMG. Encontros como aqueles ocasionados por tantas vezes que escrevi para a Editora da Tribo, jeito pelo qual conheci pessoas que me liam, ocasionalmente ou sem querer. Ou quando conheci o grande amigo, Nilson, quando meu texto se espalhou num e-mail falando sobre Tiradentes. A verdade é que meu restrito público sempre foi composto por meus amigos, aos quais eu insistia em encaminhar meus textos e que hoje são os eleitos para receber as postagens automáticas desde jovem blog.

Como esses escritores que mudaram gerações me enxergariam hoje? Casimiro diria que sou uma impura, perdida, sem virtudes? Hermann diria que sou apenas o lobo se manifestando, ainda me sentindo só na multidão e perdida num tempo de loucos? Richard diria que estou apenas descobrindo minhas asas, desfiladeiros e raios de sol. Huxley certamente me tacharia como produto de uma sociedade com padrões formatados, convenções capitalistas, auto-imagens desvalorizadas e aparências mistificadas: uma boneca de luxo? Dráuzio diria: “Sua vida está por um fio todo dia, minha cara”. E agora? Resta-me a Carolina, de Chico Buarque: “Nos teus olhos fundos, guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo”. Ou a versão do Seu Jorge: “Carolina é uma menina bem difícil de esquecer”.

Modéstia à parte, não sou mesmo uma pessoa comum. Quero mesmo testar se tudo que fiz e fui pode ser esquecido assim, frivolamente... Não falo de grandes feitos, nem de revoluções. Falo de momentos simples, porém únicos e irrecuperáveis. Sei que mudei as pessoas com quem convivi, sei que mudo quem eu amo, sem sequer notar isso. Não faço por mal, faço por vontade de levar estas pessoas ao mundo que eu acredito... É por este motivo que acho que permaneço, mesmo quando parto. Sinto muito se a saudade um dia se confundirá com arrependimento para alguns.

Carol Capelo Gaivota - México - 2008

24/11/2009

Alforria


Libertar-se, todos os dias. Daquilo que te prende, daquilo que te possui, daquilo que você não admira mais. Daqueles que te decepcionaram, daqueles que te esqueceram, daqueles que você precisa esquecer. Dos lugares que você tem medo, dos pesadelos que já te assombraram, dos pensamentos pessimistas.

O Amanhã sempre é um mundo novo... Se nos prendemos ao passado, não nos permitimos conhecer a mudança... E mudar é preciso. Mesmo que a mudança não seja motivada por nossa própria vontade, mudar é fundamental. Eu desejei isso em 2008. Mudei muito, confiei muito. Não me arrependo, segui meu coração. Se eu faria de novo? Provavelmente, sim. Um amigo meu definiu exatamente como sou: “Você prefere tentar”. Sem que eu planejasse, estou mudando de novo, mas já é 2009.

Estou tentando me concentrar para escrever e não consigo. Só me resta essa palavra - “alforria”... É só o que espero: liberdade pra retomar de onde parei, começar de novo, errar menos, me enganar menos, amadurecer... Talvez endurecer... Enfim, amanhã meu nome volta a terminar em Prado, como sempre deveria ter sido. Quem dera meu nome terminasse em Abrolhos...

23/11/2009

O Jogo da Vida



Bons ventos anunciam mudanças. Recomeçar, mais uma vez. Um toque de saudosismo das lutas já vencidas, preparando meu espírito para essa nova passagem. Assim como enfrentei com coragem e me dediquei, é hora de fechar um ciclo. Restará sempre o aprendizado, mesmo que isso me mude como pessoa.

O que importa é ir adiante, mais uma vez. Afinal, não é a primeira vez. Uma combinação misteriosa de eventos permitiu que um único momento me fizesse estar aqui. Nasci. Vivi um zilhão de momentos só meus, muitos que nem lembro, outros que guardei em rabiscos e fotos. Consertei erros que não eram meus, cheguei aos meus irmãos. E daí? Quando tudo podia ter dado errado, não é que acabou dando certo?

Aqui estou. Encucada com a forma que o destino joga com nossos caminhos: quem fez a camiseta do House também é um associado Free Hug em Brasília. Como pessoas que nunca se viram ou que jamais se conhecerão podem ter tanto em comum? Como posso ser um pouco de cada um dos meus irmãos, mesmo não sendo criados juntos? Que DNA pode ser tão poderoso assim? Ou é mesmo só uma artimanha do nosso destino? De novo, não consigo acreditar que tudo está tão traçado. Afinal, onde foi parar o livre arbítrio quando parece que todos os caminhos vão desaguar numa única resposta?

Sou uma rebelde sem causa como Marina Maria, desafiando as teorias da comunicação? Sou viajante sem rumo e curiosa como Guilherme Augusto. Sou livre como Mariana, de mecha colorida no cabelo, sonhos nas idéias, saúde frágil, mas propósitos firmes: o mundo. Como podemos ter tanto em comum depois de anos separados por experiências completamente diferentes? Porque ser o reflexo daquelas que me criaram, é óbvio. Mas de onde vem essa "condição" que me puxa para uma semelhança não planejada?

É assim que tudo me parece: um tabuleiro. Como se todos passássemos pelo mesmo caminho, porém caindo em casas diferentes de acordo com a sorte dos dados. Quem sacode os números dos passos somos nós... E quem disse que não temos mesmo um poder oculto de escolhermos as casas em que vamos parar? Esse é o jogo da vida, assim como aquele que tanto joguei na infância.