24/09/2013

Dos incas ao Peru de hoje...

Conheci Pisac, território das terrazas bem conservadas. Os incas cultivavam em seus vales (como é o caso do Vale Sagrado, seguindo o rio Urubamba) e também nas montanhas em que podiam trabalhar em plataformas como curvas de nível. O total aproveitamento da terra fértil é uma lição antiga e permitiu aos incas cultivarem plantios adaptados às mais diversas temperaturas, que variavam conforme a altura das terrazas na montanha. A questão é que quando você vê aquela construção hoje, sem nenhuma vida, você sem perceber é capaz de imaginar algo do tipo "Jardins da Babilônia". Como a vida ali deveria ser exuberante, colorida! Como aquele povo é responsável por tantas espécies vegetais que hoje consumimos: batatas, milhos, frutos da genética caseira exercitada pelos incas. Uma observação: é possível ver os buracos das tumbas arrombadas no passado, em busca do ouro com que os incas eram enterrados para ir para a "outra vida" em que acreditavam...


Saqsaywaman, outrora território de uma fortaleza inca. Ponto de resistência durante anos, ponto de luta contra os cento e tantos homens de Francisco Pizarro que aos poucos trouxeram armamento da Espanha para impelir seu domínio. As muralhas, em ziguezague, nos fazem refletir sobre a lógica do pensamento inca: o que é proteção para guerra, o que é de fato só arte, o que é ciência ainda incompreendida? Blocos enormes de pedra, perfeitamente recortados e encaixados, à prova de abalos sísmicos, estruturada no topo de uma montanha com visão ampla dos inimigos que chegavam das planícies mais baixas. Hoje o terreno é constituído de uma terra árida, seca, mas o que terá sido em tempos de vegetação abundante e com a circulação do povo inca, dando vida à fortaleza?


Mas se quiser saber onde eu de fato entendi a grandiosidade do império inca, não pense que foi em Machu Picchu. Ollantaytambo é um conjunto de ruínas e restaurações que me deixou muito impressionada: por sua história, por sua imponência, por seu encaixe na natureza regional. Ollantay era um guerreiro inca que queria se casar com a filha de um imperador inca, mas este não permitira seu casamento com alguém de uma casta mais baixa, mesmo que fosse o grande guerreiro. Porém, ele faleceu e o irmão de sua amada propôs que ele construísse um Templo ao Sol (de quem os imperadores incas eram filhos, segundo a cultura) e assim concederia a permissão para o enlace. Assim, Ollantay construiu essa fortaleza e no topo dela iniciou a construção do Templo, com pedras inteiriças que vinham de longe (das margens do rio) e que até hoje é difícil entender como chegaram ao topo. As terrazas, a vila, as casas dos "líderes", tudo encrustado entre enormes montanhas que também eram a referência da passagem do tempo para aquele povoado. Pontos na montanha onde esculpiram o rosto de um inca eram referências para o solstício e equinócio. E também lá no alto estavam seus armazéns, garantindo a segurança da produção contra ataques. Tambo em quechua (ou algo próximo) quer dizer "ponto de troca, de comunicação", onde os antepassados peruanos faziam abastecimento de comida e repassavam informações durante suas viagens pelas tão conhecidas trilhas incas (diz a lenda que são 50 mil km de caminhos espalhados pela América). Ollantaytambo também foi ponto de resistência por anos, mas sucumbiu à dominação espanhola em meados de 1500. O pior? Não sei se Ollantay se casou, enfim, com sua amada!




Qoricancha foi alvo da ambição espanhola desde os primeiros tempos. Era um centro de estudos dos incas, onde aprendiam e repassavam o conhecimento sobre astronomia, agricultura, etc. No entanto, para desmoralizar os incas e transformá-los em ateus ou pecadores por crerem em mais de um deus, o local foi tachado como um tempo aos deuses incas, mas nada mais era do que um centro para disseminação da cultura inca e formação daqueles que seriam enviados aos outros pontos importantes do império para replicar as informações. No entanto, com a dominação espanhola, os colonizadores construíram a Igreja de Santo Domingo, demolindo as fundações para construir a catedral e o mosteiro. Em diversos pontos de Cusco essa dominação está estampada em muros e paredes que em parte foram feitos pelos incas, em parte pelos espanhóis. E todo o outro que ali esteve um dia navegou até a Europa, sem dar direito a este povo de usufruir da própria riqueza. Quem disse que a história é feita de louça?


Ainda tem mais! Aguardem...

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