09/02/10

Varal

Finalmente minha casa nova tem um varal. Não preciso mais secar minhas roupas na janela, vou ter o espaço certo pra secar o que lavei. Vou finalmente lavar tudo que está acumulado naquele baú. Quem dera pudesse jogar na máquina outras coisas que eu queria lavar - limpar "por dentro". Tantas idéias, sentimentos ruins, angústias, decepções. Como se tudo fosse simples mancha removível, como se tudo saísse com água e sabão.

Lavar pra secar ao vento, pra esticar ao sol. Sair com a alma limpa, leve, renovada. Sem guardar a antiga sujeira, sem ser obrigada a conviver com as marcas um dia adquiridas. Mas quem disse que a máquina de lavar conserta furo em calça, costura rasgos, prega de volta os botões perdidos? Quem disse que o varal milagroso lança ao vento tudo que não precisamos mais? Quem foi que disse que o varal faz tudo que é ruim evaporar? Tem mancha que não sai. Tem roupa que não tem "jeito".

Resta saber se dá pra continuar usando a roupa manchada em casa, escondida do resto do mundo, só na minha própria rotina. Quem é que disse que tudo quanto é roupa manchada a gente aceita se desfazer com tanto desprendimento? Tem roupa manchada que a gente usa pra dormir, outras a gente passa pra frente. Como se pudéssemos terceirizar o problema. Mas tem mancha que acaba com tudo e a roupa antes predileta, agora é vergonhosa, desprezível.

Mancha boa é aquele que nos obriga a mudar tudo, a comprar roupa nova, rompendo vínculos por comodismo. Mancha boa é aquela que nos mobiliza, que faz você trocar de roupa e finalmente mudar todo o resto. Tem mancha que vem pra abrir os olhos: “enxerga a mancha, veja a sujeira escondida, hora de deixar isso de lado”. Portanto, você é quem sabe que tipo de mancha é capaz de suportar ou desprezar.

Procure suas manchas, seus furos, linhas descosturadas, antes que alguém de fora aponte. Ache você mesmo os seus pontos “maculados”, decida como agir em relação a eles. Se valer o esforço, tire a mancha, talvez minimize-a. Se não for possível, pense se é possível suportá-la ou não, se ainda dá pra aproveitar algum aprendizado. Se for insuportável, esvazie sua gaveta, desprenda-se, mude. Renove seu guarda-roupa, não ocupe seu varal com roupas manchadas inúteis. Guarde apenas as fotos registradas enquanto ainda não existiam manchas, guarde apenas a lembrança de quando as cores eram divinamente respeitadas. Não se suje por pouca coisa, dê-se ao conforto de não exibir antigas manchas que não te deixam mais felizes e nem te transformam numa pessoa melhor.

06/02/10

Remorsos seus, não meus

Sou muito jovem para me responsabilizar pela correção dos erros alheios. Não posso suportar uma carga, um carma, um medo, um remorso que não são meus. Só tenho meus 27 anos, que agora me pareceram pólvora incinerada, e não posso corrigir erros de quem tem 57, 41, 33, nem mesmo 18 anos. Nem de quem ainda está por vir em minha vida. Cada um que se resolva nessa vida, e olha que nem sou tão egoísta assim. Eu bem que tento tornar tudo o mais amigável possível, o menos constrangedor, o mais confortável para quem convivo. Quer minha ajuda? Estou aqui. Mas enquanto você não quiser minha intromissão, a escolha é sua. Livre-arbítrio.

Não consigo sequer dormir sem resolver as minhas raivas, ou ao menos sem traçar um plano para resolvê-las. Vou cuspir meu ódio, escrever cartas, ligar no meio da madrugada, mas não vou engolir o veneno. Só que normalmente não incluo ações alheias nos meus planos – sou dona apenas dos meus atos. Conto somente com o que depende de mim. Não espero mais que todas as pessoas do mundo sigam a minha maré, muito menos priorizem “por obrigação” as causas pelas quais eu decidir lutar. Não é assim que definimos “afinidades” e descobrimos nossos amigos ou companheiros de bandeira?

Assim também encaro os problemas. Se me incomodam, eu é quem tenho que resolver. Não tenho que colocar ninguém pra resolver por mim. E pior ainda quando alguém acha que tenho um problema que pra mim nem sequer existe. Portanto, respondo (sou tachada como dura): “eu resolvo”. Quero simplesmente dizer que “eu” é quem resolvo ou posso resolver, decido, percebo um “incômodo” ou encaro alguma coisa como problema, e não outra pessoa. Pareço meio rebelde? Independente demais? Seca, fria, egocêntrica? Talvez, mas me deixem, porque se eu estiver errada em “ser assim”, um dia eu vou descobrir. E aí talvez essa minha “mania” vire um problema – e assim eu mesma terei que resolvê-lo... Não se preocupem, não sou orgulhosa: quando eu quiser corrigir um problema, um erro, um tropeço meu, eu vou assumir. Vou pedir ajuda, se precisar! Só não me digam o que eu tenho que fazer. Sei bem a origem dos meus problemas. Só eu posso saber se eles merecem solução.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A “Corrente do Bem” é um ato público que reflete a liberdade de cada um. Quer ou não participar? Não depende de mim. Fico feliz por ver a idéia crescendo, por conhecer pessoas fabulosas, por contar com meus amigos nessa vontade, por ver o efeito que isso causa, mas a escolha de estar ali, é de cada um, sem que eu possa interferir. Eu convido, mas a vontade é sua. É isso que me deixa feliz – você não está ali porque foi forçado, mas porque se sente parte daquele movimento. Se a “coisa” é natural, o sentimento é verdadeiro. Portanto, você não está abraçando pela minha idéia, mas por sua capacidade de amar o próximo. ESSA É A VERDADEIRA RECOMPENSA.

03/02/10

Conversa sem Rumo

Responda francamente: Sua turma de amigos tem um dialeto próprio? Vocês se lembram de situações em que cada um viu os fatos acontecerem de um jeito? Você sempre se lembra de algum ponto obscuro da história de seus amigos que nem eles se lembram? Você sempre se diverte quando todo mundo se lembra dos mesmos casos? Criam metáforas no final da noite que só vocês conseguirão algum dia entender?

O problema é que parece papo de bêbado, mas só 50% tinham tomado cerveja. Só se tivesse pinga no vinagrete! A questão é que de repente tudo passou a ser culpa do aquecimento global, do alinhamento dos planetas, da cultura "Emo", até mesmo das músicas da banda "Fresno" e quaisquer outros culpados que nada tinham a ver com o assunto. No final, só pra constar, a culpa maior era do meu blog e das novas mídias. Claro, você não está entendendo nada...

Portanto, assim foi o reencontro da nossa turma da faculdade... Como estamos velhos! Quantos filhos nossos amigos já têm? Qual é mesmo a idade da Bia? Como é que o Guigui sabe o que significa fazer "tin-tin" aos 2 anos e poucos meses? Quando é que fulano se casou? Quem era mesmo tal pessoa? Como é que alguém podia se lembrar das pernas do fulano de tal? Uma série de falhas de memória e eis que só restaram aqueles que realmente "grudaram", ou seja, só não caiu no esquecimento quem fez parte daqueles momentos importantes, até o final.

- Como é que pode esse menino já montar um quebra-cabeça? Você se imagina pai?
- Eu vi o Ice passando.
- Falou que não vem, que tinha coisas pra resolver em casa.
- Eu me imagino o maior paizão. Sério!
- Eu não consigo até hoje me imaginar como mãe.
- Vamo lá, Guigui, você vai ficar amigo da Ednamara!
- A Rol agora tem um blog, mas não coloca os podres lá, né?
- A questão mais discutida pelo grão-mestre era sobre as técnicas do prazer total.
- Fora o sexo tântrico. Por isso acabei com meus e-mails que começavam com "WWW"...
- Como chamava aquele cara das pernas grossas e cabeludas?
- Como é que alguém lembra dos cabelos enrolados do cara?
- Nunca mais vi a Berê!
- Como chama o cara da plantação de tomate?
- E o tenista?
- A gente podia aproveitar muito mais se fosse mais maduro, né?
- Como chama aquela da foto na porta do CAE?
- Duvido que alguém tem o telefone de fulano...
- Gente, que guerra! Eu não me lembro desse povo...
- Tinha aquela que parecia com os "wilwoks" (não sei como escreve). Como chamava o filme mesmo? Terra do Nunca? História sem Fim?
- Puerto Madero. (leia com um sotaque espanhol esquisito)
- 40 dólares pra ir no Senhor Tango, eu não fui, mas vale a pena!
- Eu não quis nem saber! 150 o casaco da Dior! Pode comprar, vai comprar!
- Eu já não agüentava mais comer carne.
- Melhor andar a pé pra conhecer os lugares...
- Eu não quero nem saber, vou dar um jeito de ligar pra Cláudia e ir com vocês.
- Mas e a balada em Buenos Aires? Como é?
- Eu só sei que eu não queria ir embora, e nem gosto de boate!
- Afinal, o que você tinha pra resolver em casa?
- Coisa lá de casa... (continuou no ar...)
- Quem diria... Agora finalmente temos um acadêmico na turma!
- Tô dando até mini-curso... (leia com a tremedeira de sempre)
- Pai, me dá um picolé?
- Agora já era, já estamos indo embora!
- Os prédios mudaram todos de lugar. Tudo está diferente na PUC...
- Eu só me lembro do 43, o Titanic.
- O 43 era o quê?
- Nosso prédio, uai.
- Ah, eu só me lembro do 34. Que guerra!
- Basta inverter.
- Boa!
- Vi o Gustavo, que era nosso monitor... (não lembro o resto desse assunto)
- O bochechudo do olho verde?
- Gente, eu só vim dar um abraço em vocês, tô com muita dor de cabeça.
- Naquele dia do baile, tinha a festa de fim de ano da Band. Se a gente dormisse, não acordava pro baile. Era melhor continuar acordados, Maguá e eu.
- Pensei que só eu tivesse levado um tombo no baile... Eu tomei uma garrafa de vinho, dormi na van e cheguei sã na festa...
- Culpa do Fresno, o alinhamento dos planetas, a cultura "emo", Avatar, etc.
- Eu e Marina bebemos umas duas garrafas cada, ficamos terríveis!
- Meu vestido ganhou um furo no primeiro dia de uso.
- Eu "peguei" os amigos do Ice ao longo dos anos, o irmão também... (ainda bem que ele já tinha ido embora)
- Gente, não vale ficar lembrando essas coisas. A menina foi até embora!
- A Dri não era chata, era mau humorada.
- Eu sempre gostei da Dri. Mas ela precisa de um negão na vida dela.
- Pereira é um enrolado. Já mandou mensagem furando.
- Como é que um cara cai nesse papo? Lógico que você também contribuiu.
- Gente, o mundo tá acabando! Não to acreditando nisso...
- Vocês nunca viram isso? Já rolou isso comigo também...
- Culpa do Fresno, o alinhamento dos planetas, etc. Todo mundo agora tem um Avatar!
- Vocês viraram umas pervertidas!
- Que isso, Lambão, normal! Eu só estou reagindo ao mercado...
- O bom é que agora a Ciência da Informação invadiu o bairro, somos todos vizinhos.
- Eu não, ainda moro longe daqui.
- Eu também.
- Mas só funciona assim mesmo, se marcar sem planejar, pra ninguém dar o bolo.
- Olha o tamanho da filha da Ju!
- Eu pago a cerveja. Vocês pagam a comida.
- Eu quero ser solteiro. A vida tá essa guerra toda?
- Mas nem te conto a decepção... Ohhh, desperdício!
- "Cafa" a gente só pode pegar até o carnaval. Eu cortei os "cafa" da minha vida.
- Eu sei como é isso.
- Luizinho na segunda? Bora?
- É, porque na quinta enche demais. Não rola.
- Vou apresentar meus amigos acadêmicos e gente boa.
- Fechado.
- O que importa é o Dejavu.
- Nunca ouvi isso.
- Vamos te apresentar pro Dejavu. (o som toca no carro)
- Segunda, hein!

Gente, que falta vocês fazem!

01/02/10

Poema "Praça do Abraço"

Por Eduardo Augusto Batista dos Santos
01/02/2010


Foi um marco
Na praça do abraço

Não precisou pegar ninguém no laço
Carinho, atenção, esse é o recado!
De coração pra coração
De coração na emoção!

Liberdade de andar
Liberdade de parar
Liberdade para abraçar
Pode vir até mesmo, quem só quer desabafar!

Se você é feliz
Não tem porque se machucar,
Traz em sua missão o dom de curar!

Devagar, correndo
Correndo devagar
Dá até pra imaginar
Se a vida fosse só amar!

Do velhinho ao menininho
A gente faz só um pouquinho!
É que queremos sonhar
Com um mundo melhorzinho!

É a corrente do Bem!
Que os anjos cantem amém!

31/01/10

Praça do Abraço!

Aos meus amigos, muito obrigada!
Aos "abraçados", sejam bem vindos!


O abraço do dia!


jokerindio.blogspot.com



Não achou sua foto? Peça por e-mail!

29/01/10

Nossas Estampas e Armários

Em tudo que faço, estampo o que penso, o meu jeito de ser. Tento ao máximo ser uma pessoa transparente, por isso estampo na minha janela as minhas ideologias, lógicas, defeitos e medos. Tento o tempo todo fazer ao menos uma pequena parte do que posso fazer, poderia mesmo fazer ainda mais. Mas sou gente, tenho meus limites, egoísmos e egocentrismos, mesmo que isso pareça redundante.

Onde como, simbolizo o que a natureza me oferece... Peixes nos armários, nas bandejas, na geladeira, nos copos. Greenpeace na janela. Respeito a quem me oferece o que tenho, na base de tudo: natureza. Já fui WWF, já quis ser oceanógrafa. Respeito o mar como se fosse meu templo. Nada mais coerente do que trazer estes símbolos para proteger o meu lar. Boas energias também entram pela boca, além de entrarem pelos ouvidos, pelos olhos e pelo abraço.

Onde descanso, dois pilares protegidos pelos meus anjos particulares: meus peixes, vigiando meus sonhos e acalentando minha solidão noturna. Acima de minha cabeça, no topo do meu pensamento desligado, encontra-se Chac Mool, o guardião de Chichen Itza que recebia os corações dos guerreiros sacrificados. Afinal, será mesmo que a cama não é um sacrifício do coração? Só agora pensei nesta analogia e não posso deixar de pensar como é irônica... Na entrada do quarto, mais um calendário maia, mais uma forma de me lembrar que eu sou dona do meu tempo, só eu posso controlá-lo sem desperdícios, sem peso na consciência, sem medo de realizar minhas vontades.

Onde lavo minha alma, mais peixes, uns que nem eu escolhi que estivessem lá. A minha semelhança com alguém que um dia também freqüentou aquele lugar. Meu elo com a história de quem nem conheci e que, por coincidência, também possui uma estrela tatuada no pulso. Peixes, peixes, peixes e um espelho mal encaixado. Só pra cumprir sua obrigação, pois se fosse possível, não ficaria me encarando. Afinal, assim talvez eu parasse com a mania de achar defeitos ou de me encarar nos olhos todos os dias antes de dormir.

Onde guardo tantas coisas, escondo ainda outras tantas! Um casal de golfinhos, três peixes artesanais, um cordão com peixes, um lugar simples como o fundo do mar. Só o essencial realmente satisfaz. Tudo que talvez seja supérfluo pode ficar do lado de fora ou trancado no guarda-roupa, escondido como um segredo. E são muitos segredos... Escritos, estampados, encaixotados, assombrados ou bem dobrados. O que importa é que temos a felicidade de não expor tudo que pensamos, trancando tudo num quarto abandonado pra resgatar quando bem entendermos.

Onde curto meu tempo, vejo a história estampada: lições de antigos guerreiros, deuses que espantam os pesadelos, máscaras que me dizem para ter atenção com quem tem duas caras. Calendários astecas que mostram que o tempo pode ser cruel. Calendários maias que mostram que o homem é o dono do tempo, carrega-o nas costas de acordo com sua força de vontade. Três pequenas galinhas me lembram o lado maternal em relação aos meus amigos, já que os coloridos filhotes foram espalhados para alguns amigos queridos. Um gato da sorte (japonês) me lembra do duende no jardim da Amelie Poulain, ou seja, de como me reconheci nela. A minha ocarina, flauta mágica, simboliza um reencontro em terras abençoadas da Bahia, realizando um velho sonho.

Onde desacelero meu dia, exponho as fotos da Corrente do Bem, fotos dos amigos, fotos da família, fotos de lugares que amo e sinto saudade, fotos do mar e dos seres humanos. São a primeira imagem ao entrar na minha sala e nada poderia ser mais característico: eu e minha mania de guardar a felicidade em imagens congeladas, eu e meu medo de esquecer tudo que foi bom. Na minha porta, que permite entrar e sair do meu palácio, estão os sinos que ganhei de um bom amigo com promessas de boas vibrações para meu novo porto seguro. Sinos indianos que talvez me simbolizem a paz de Gandhi e a confiança dele no ser humano.

Domingo acontecerá mais uma Corrente do Bem. Nas minhas gavetas estão os apetrechos para o movimento. Portanto, quem disse que aquilo que escondemos também não diz muito sobre quem somos? Ou você realmente acredita que você é somente aquilo que os outros enxergam?

"Ideologia... Eu quero uma pra viver!"

Sonorexia

O sono

Me ataca

Lentamente

Aumenta

Sem saber onde vou

Atormenta

Tédio automático

Preciso dormir

Tempo pra mim

Sem o empurrão

Constante

Que me persegue

Rápido

Sem fôlego

Cansada

Mas sem amargura

Sono não é tristeza

É falta de tempo

Tensão

Pressa

Modernidade

Quem mandou

Eu não ser oceanógrafa?